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Yoga para crianças é mais poderoso do que você imagina
Yoga para crianças é mais poderoso do que você imagina

Na escola, falta concentração. No parque, é difícil se relacionar bem com as outras crianças. Em casa, estímulos como TV e celular são o suficiente. As crianças têm corrido graves riscos de desenvolvimento na era contemporânea. Replicando as ações dos pais e demais adultos ao redor, suas expressões comportamentais podem estar relacionadas com falta de empatia e perda de atenção.

Mas nem tudo está perdido. É que, como alertam profissionais da psicologia infantil, práticas de postura, bem-estar e amadurecimento emocional podem ajudar a criança a manter sua inteligência corporal e, consequentemente, lidar de forma mais orgânica com o mundo ao seu redor.

De acordo com João Soares, professor de Yoga para crianças há 22 anos, elas já possuem todos os artifícios necessários para se utilizar da yoga como forma de expressão e ação em sua vida. “Você vê uma criança sozinha dando cambalhota, fazendo posturas onde ela alonga a coluna em extensão e outras onde alonga compensando esse movimento de extensão”, ele conta. “A criança já faz vários movimentos de inteligência corporal”.

sports-428030_1280Para ele, a importância da prática na infância vem atrelada à necessidade de não perder o contato com o corpo, pois é com ele que as pessoas se relacionam com o mundo. E, no caso da criança, é com ele que ela vai brincar, por exemplo, uma atividade cuja ausência pode comprometer sua experiência. “Hoje não tem mais árvore para subir, não tem mais quintal, você vê o absurdo de crianças de dois anos com celular, com o tablet”, João observa. “É, assim que ela perde o contato com o corpo”.

João, que é também contador de histórias, chama a atenção para algumas queixas que poderiam ser resolvidas com a prática de yoga e do autoconhecimento corporal já na infância. “Os professores reclamam que os alunos não tem concentração na escola. Se fizermos um paralelo com yoga, como ela vai ter concentração se não tem a coluna fortalecida? Ela fica enterrada, não usa o corpo pra brincar, pra correr”, ele aponta. “Se ela faz yoga, fortalece a coluna, ela se senta melhor, o cérebro é melhor oxigenado e os pulmões não ficam pressionados quando ela senta”.

Uma abordagem especial para o público infantil

As crianças não são como os adultos. Sua experiência no mundo, em cada lugar que conhecem todos os dias, é diferente. Como observa o psicólogo e instrutor de yoga Volnei Pinheiro Junior, a criança vive o mundo pela primeira vez e precisa de uma abordagem diferenciada para que entenda e se interesse pelas mensagens do yoga.

child-538029_1280“É bom estimular ainda cedo essa capacidade da criança de estar no presente, que é uma forma de meditação”, Volnei afirma, ressaltando que, na infância, o estado de atenção plena é muito mais natural e contínuo que nas demais fases da vida. “Isso vai ajudá-la a acalmar a mente, a conduzir a sua energia, a perceber que quando ela está cansada ela precisa descansar, quando ela está com energia precisa usar de uma maneira que seja construtiva, para criar algo e não pra brigar”.

Mas yoga não é uma prática silenciosa, quieta, que exige uma série de posturas e momentos de reflexão? Como uma criança vai se atentar para o autoconhecimento que ele proporciona se ela não consegue ficar parada, por exemplo?

Enquanto o adulto se relaciona de forma racional com o mundo, a criança o faz de forma lúdica e desprendida. Por isso, recursos que se utilizam de elementos já presentes e enraizados no imaginário e na convivência das crianças podem ser extremamente úteis na busca por conscientizá-las dos preceitos e ensinamentos do yoga.

Um desses recursos são as histórias.

human-746931_1280Yoga com Histórias: lúdico, dinâmico e poderoso

“Histórias não são só historinhas”, João avisa. “São remédio para a alma”. Como ele explica, muitas crianças enfrentam situações difíceis no dia a dia e encontram nas histórias conforto e sabedoria, pois elas trazem elementos poderosos em suas narrativas de empoderamento e superação.

Ele começou a trabalhar com yoga para crianças na Casa Abrigo, em São Paulo, desenvolvendo a prática com crianças violentadas. Observando atentamente o imaginário do mundo infantil em busca de aplicar na prática do yoga as referências mais importantes para as crianças, ele percebeu que contar histórias e mesclá-las com posições era muito efetivo.

“São elementos que as fortalecem”, diz ele sobre os elementos presentes nas histórias. “As histórias são conhecimentos maravilhosos para (a criança) encontrar equilíbrio emocional. Já se ouve falar na historiaterapia, a arte de contar hitórias pra ajudar as crianças a passarem determinadas dificuldades. Os grandes contos de fada não morrem porque trazem grandes mensagens”.

Por isso, em parceria com com sua esposa e também professora de yoga, a pedagoga Rosa Muniz, e com o produtor Dudu Toledo, além de outros colaboradores, ele idealizou um projeto que busca levar o yoga às crianças e proporcionar, de forma lúdica e comprometida, bem-estar na infância.

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Ilustração de Thais Uzan para o Yoga com Histórias (Imagem: reprodução)

O Yoga com Histórias, que começou como um grupo pioneiro no Brasil de aplicação de yoga para crianças sob a metodologia das narrativas lúdicas, agora ultrapassa fronteiras, assim como o método em si, que atualmente é difundido em vários países. Após a apresentação de um piloto à TV Rá-Tim-Bum, o projeto vai virar série e a primeira temporada, que trará jornadas de autoconhecimento e suas incríveis metáforas à prática de yoga, começa a ser gravada este mês.

Para isso, o Yoga com Histórias criou uma campanha de arrecadação coletiva. A série ficará no ar por pelo menos dois anos e será exibida não só no Brasil, mas também em Portugal, no Japão e em outros países. O mais interessante: Thais Uzan, a animadora responsável pelo desenvolvimento do projeto para a TV, foi aluna da primeira geração de crianças do Yoga com Histórias.

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(Imagem: Yoga com História/Reprodução)

No programa, a equipe do projeto vai trabalhar com temas. O primeiro é o medo. “Junto com isso, trabalhamos posições e posturas de yoga que ajudam a despertar a força interna para enfrentar o medo”, conta João. “Associando histórias com brincadeiras, tem-se um instrumento maravilhoso para ajudar as crianças. Medo, raiva, solidão, todos os sentimentos… As histórias ajudam de forma inconsciente a refletir e se apoderar dessas mensagens”.

De filho para pai: uma consciência sobre estar e agir no mundo

Crianças estão o tempo todo assimilando o mundo e, como Volnei explica, replicando ações dos adultos que vivem em seu entorno. Ele chama a atenção para a importância do exercício do carinho e da empatia por parte de pais que desejam que seus filhos também desenvolvam bons sentimentos para com as outras pessoas.

Mas João adverte para um triste fenômeno: os pais não têm tido atitudes compassivas dentro de casa e, muitas vezes, levam seus filhos para o yoga na esperança de que a prática vá resolver problemas comportamentais das crianças.

human-730204_1280E Volnei, que desenvolveu aulas de yoga para crianças em uma escola de Curitiba durante três meses e observou como elas lidavam com a prática, também repara nesse cenário. “Os pais estão pouco atentos ao que está acontecendo, são pouco empáticos, e acabam não percebendo a criança”, diz o instrutor. “Emocionalmente, ela absorve tudo. Mesmo que não entenda, ela está registrando essa experiência. Então, quando eles estão pouco conscientes, muito estressados, isso vai afetar diretamente a criança porque ela vai achar que esse é o jeito correto de viver a vida”.

Por isso, é importante salientar que a união de esforços, dentro e fora de casa, com e sem a prática do yoga, dos instrutores e dos pais, será decisiva na construção de mundo positiva da criança. “O passo a passo do yoga vai ajudar a criança a estabelecer uma relação melhor com o mundo”, Volnei observa. “Os valores éticos e morais do yoga vão ajudar a criança a adotar essas atitudes na infância e conscientizá-la sobre valores humanos”.

A história de Rama e Sita

YOGA PARA CRIANÇAS

Conta a história, que o bondoso príncipe Rama e sua bela esposa Sita, foram morar na floresta.

Um dia Sita viu um pequeno veadinho ferido por uma flecha e – com o coração apertado – pediu a Rama que o salvasse. Ele sabia dos perigos daquela imensa floresta e, por isso, antes de sair atrás do animalzinho, traçou ao redor da amada um círculo de proteção, aconselhando-a a não sair do traçado no chão.

Pouco tempo após a saída do príncipe, surgiu um velho mendigo pedindo alimento a Sita. Compadecida, ela – que tinha o coração amoroso – ofertou ao velhinho frutas e arroz. Quanto esse se aproximou para pegar, o círculo mágico desenhado por Rama empurrou-o para longe. Tentando se levantar do chão, o velho pediu que a própria Sita lhe trouxesse a comida. A bela princesa nem imaginou que aquele homem oferecesse algum risco e saiu do círculo. Rapidamente o velhinho transformou-se no terrível Ravana – o demônio de dez cabeças! – que, montado em um enorme pássaro, voou para longe levando a princesa.

Ravana tinha a intenção de convencer a princesa Sita a se casar com ele e, por isso a prendeu no alto de uma torre.

Quando Rama, chegou trazendo o animalzinho ferido, logo percebeu o que tinha acontecido… Para ajudar o príncipe Rama, prontificou-se o seu fiel amigo: Hanuman, o deus macaco. Hanuman era filho de Vaio, o vento, e por isso possuía grandes poderes! Pronunciando algumas palavras mágicas, ele cresceu até sua cabeça encostar no céu. Ficou tão grande que em um só pulo chegou à ilha de Sri Lanka, lugar onde morava o demônio de dez cabeças.

Hanuman, além de conseguir informações sobre a princesa, entregou a ela um bracelete de Rama, para que ficasse descansada e esperasse o socorro de seu príncipe.

Ao voltar, Hanuman contou a Rama que sua princesa estava bem, mas que o exército de Ravana contava com com milhares de soldados e com o enorme gigante, irmão de Ravana! Assim foi que, para ajudar, Hanuman convocou seu exército de macacos e ursos e todos partiram com Rama.

Chegaram enfim ao imenso mar que precisava ser atravessado para chegar a Sri Lanka. Rama, com sua sabedoria, debruçou-se no mar e pediu-o para que secasse, a fim de que pudesse atravessar com todo o seu exército. O deus do mar disse que isso ele não poderia fazer: muitas vidas que nele habitavam seriam destruídas! No entanto, aconselhou Rama a jogar pedras sobre o mar…

Assim foi feito… Quando os macacos e ursos jogavam as pedras, eles recitavam com tanto amor o nome de Rama que as pedras começaram a flutuar. Em pouco tempo, havia sobre o mar uma imensa ponte, por onde todos atravessaram.

Em uma corajosa batalha, Rama venceu o gigante!

Enlouquecido com a morte do irmão, Ravana atirava sem parar flechas sobre Rama que, em um momento de distração, foi atingido em seu coração e ele caiu morto!

O exército ainda lutava, mas Ravana sabia que, sem Rama, isso continuaria por muito pouco tempo…

De repente, aconteceu o milagre da gratidão!!!

O veado que Rama havia salvo se aproximou dele e, de seus olhos, uma lágrima caiu bem em cima de um dos olhos de Rama. Em seguida, o pequeno animal caiu morto: com esse gesto, ele deu sua própria vida a Rama que, rapidamente levantou-se e, acertou uma imensa flecha no coração de Ravana que teve o seu fim.

Rama, enterrou com muitas honras o pequeno animal, aquele que lhe dera a própria vida!

Depois disso, salvou sua princesa que, cheia de alegria, voltou com ele para a floresta.

Contam os antigos, que quando se tornou rei, Rama governou com a mais perfeita justiça, sendo por todos, muito amado!

PNL – arte e ciência da excelência a serviço da Educação

Sabemos que durante os primeiros anos de vida a personalidade da criança se forma a partir das impressões que recebe do meio-ambiente e das pessoas com quem convive. É de vital importância que observemos que tipo de informação a criança está recebendo nesta fase, preocupação esta que deve se estender por toda a adolescência, mesmo respeitando as escolhas individuais, através de uma atenção e orientação constantes. Uma atenção especial deve ser dada a linguagem que utilizamos como pais e educadores, que pode tanto auxiliar a construir a segurança pessoal e a auto-estima de uma criança ou adolescente, quanto destruí-la.

Todos somos capazes de nos lembrar, com um mínimo de esforço, de frases repetidas por nossos pais – muitas provavelmente herdadas de nossos avós – que contribuíram para nos tornar o que somos hoje. O modo como pensamos e agimos no mundo sofreu grande influência do tipo de linguagem que foi utilizada conosco por nossos pais e professores, durante a formação de nossa personalidade. Frases tais como “dinheiro não nasce em árvore” ou “mais fácil um rico entrar no reino do céu que um camelo passar pelo buraco de uma agulha”, por exemplo, podem ter influenciado no modo em que lidamos com esta energia de troca, o dinheiro. Assim como “você não faz nada direito” pode formar um indivíduo com pouca ou nenhuma segurança de sua própria capacidade, a frase “você fala pelos cotovelos”, repetida muitas vezes, pode transformar uma criança comunicativa em um adolescente sisudo ou tímido.

Em nosso diálogo com nossos filhos e mesmo como educadores, precisamos ficar atentos a linguagem de modo que ela reflita acima de tudo amor, respeito e aprovação. Todos são passíveis de erro e ninguém merece ser invalidado com frases do tipo “você não aprende mesmo” ou “você não toma jeito”, muito comum de serem ouvidas nos nossos lares ou nas escolas. Todo um sistema de crenças e de limitações auto-impostas podem nascer deste tipo de linguagem e sabotar o desenvolvimento individual.

Porém, esse é o menor dos problemas hoje. Desde a chegada da televisão nos nossos lares, a educação tem se tornado cada vez mais complexa, já que antes contávamos somente com a influência da família, da escola e do ambiente do bairro. Desde então temos de lidar com a pesada influência – quase um controle – que esta exerce sobre a criança. Tão logo os comunicadores se deram conta da presença de crianças diante da TV durante longas horas do dia, passaram a desenvolver programas voltados a esta faixa etária, seguidos pelos publicitários, que passaram a explorar a possibilidade de criar um novo seguimento de consumo.

Com o advento da Internet, a tarefa dos pais de vigiar o conteúdo aos quais seus filhos estão expostos, tornou-se quase impossível. E mesmo tendo sido abolidas da propaganda as tão faladas mensagens subliminares, sabemos o forte apelo que televisão e Internet exercem sobre crianças e adolescentes e mesmo adultos. Não há limites para o uso da máquina de comunicação a serviço de interesses pessoais escusos, influência mental e controle dos indivíduos, principalmente na política.

Com não uma, mas agora duas janelas abertas para um mundo complexo e em constante mudança, verdadeiros catálogos de possibilidades de experiências diversas e quase sem nenhum controle, nossos filhos estão se tornando cada vez mais vulneráveis a influências externas.

Porém, nem tudo está perdido. A televisão e a Internet – essas maravilhosas ferramentas que revolucionaram a comunicação mundial, estreitando distâncias geográficas e aproximando culturas – podem e devem ser utilizados como auxiliares na educação. Outra excelente ferramenta que pode ser utilizada no processo de formação da criança e do adolescente é a Programação Neurolingüística.

A Programação Neurolingüística é a arte e a ciência da excelência; arte porque cada pessoa tem um modo de agir próprio que não pode ser ensinado através de técnicas e ciência porque este modo particular pode ser mapeado em padrões através de um processo chamado modelagem. Isso significa que podemos determinar os padrões com que as pessoas obtêm resultados excepcionais ou “estado da arte” no que realizam e que pode ser aplicado no campo educacional e profissional, melhorando o nível de comunicação e transmissão com o objetivo de aperfeiçoar o desenvolvimento do indivíduo e propiciar uma aprendizagem mais rápida.

Robert Dilts, um dos maiores expoentes da PNL mundial criou um modelo simples que reúne noções de contexto, relacionamento, níveis de aprendizagem e posições perceptivas. O belíssimo gráfico denominado Níveis Neurológicos tem como núcleo o campo espiritual que é ao mesmo tempo o nível mais profundo, onde se originam nossas questões metafísicas e nossa direção no mundo, que contém tudo o que somos e fazemos, porém não se limita a isso. Na seqüência, temos a identidade, que é o sentido de si mesmo, o ser no mundo, seguido por nosso sistema de crenças, que podem se configurar tanto uma limitação quanto uma permissão; nossa capacidade, que é o conjunto de habilidades, talentos, comportamentos e estratégias, o comportamento que são as ações específicas que realizamos; e o meio ambiente, tudo que nos cerca e a qual reagimos. Este gráfico nos mostra que há um movimento de um para outro nível, do que se encontra na superfície até o mais nuclear. Deste modo, toda influência externa afeta o interior do sujeito bem como o sujeito tem a possibilidade através de uma mudança de crenças e atitudes, de influenciar o mundo em seu entorno.

Nesse sentido, o cultivar-se a si mesmo, reavaliar suas crenças limitantes e suas estratégias de vida faz parte da construção pessoal de um educador ou pai. Levando em conta que só se transmite aquilo que se sabe, somente se dá o que se tem ou ainda, que só se leva o outro aonde se foi em si mesmo, a PNL torna-se mais uma excelente ferramenta de desenvolvimento pessoal para indivíduos que tem como missão a educação e orientação. Nunca devemos perder de vista que somos canais de transmissão e faróis na trajetória de cada uma das crianças e dos jovens cuja jornada atravessa nossos caminhos.

Portanto, mais importante do que todas essas ferramentas é a escolha pela freqüência na qual nos sintonizamos e um respeito aos princípios humanos básicos. Esta atitude aliada a estas ferramentas, aplicadas à educação e ao relacionamento dos pais com seus filhos, podem gerar grandes transformações no mundo e repercutir na vida de muitas gerações.

(Malu Aguiar – artista plástica e consultora em criatividade, co-autora do livro “Crimes na Rede – O perigo que se esconde no computador” – www.consciencianarede.com)

O Nascimento de Ganesha

Foi há muito tempo atrás que nasceu Ganesha – o deus que remove os obstáculos mais pesados, que ilumina os caminhos mais obscuros, e que percorre os labirintos mais tortuosos. Enfim, é aquele deus com uma simpática cabeça de elefante, que é louvado quando uma pessoa vai começar uma nova atividade ou quando está com algum problema difícil de resolver. Dizem que ele vai abrindo passagem com sua tromba, e delicadamente remove tudo aquilo que é muito pesado para as pessoas em geral. Dizem também que ele se locomove pelo mundo montado num pequeno rato. E esse ratinho, que é o seu meio oficial de transporte, escolhe os melhores caminhos, abre atalhos, encontra boas saídas, e, por isso, o faz chegar mais depressa onde os outros sempre demoram muito para chegar.
Com sua cabeça de elefante, ele faz lembrar das qualidades desse animal, que na Índia, é considerado um ser sagrado. Ele é imponente, forte, gracioso, simpático e, acima de tudo, muito bonito. E é por esse motivo que dizem que a cabeça de elefante no corpo humano representa uma consciência luminosa. São os desejos, os pensamentos e os sentimentos divinos que podem se expressar em qualquer ser humano. Com esse corpo tão particular, esse deus lembra para todos os seus devotos que a união entre o divino e o humano é uma realização alegre, bem-humorada e que traz muita força.

Por ter uma aparência tão curiosa, até os mais sábios, alguma vez na vida, já perguntaram como aquela cabeça de elefante foi parar num corpo de gente. E, certa vez, quando um rei muito instruído fez essa pergunta a um grande sábio, que era um famoso contador de histórias, que conhecia absolutamente todas as histórias de todos os deuses de todos os tempos, a resposta foi a seguinte:

“Foi há muito tempo atrás que Parvati, a linda deusa da montanha, trouxe Ganesha ao mundo. Naquela ocasião, a deusa encontrava-se numa situação desagradável. A situação era a seguinte: Shiva, seu amado, sempre entrava em seu palácio em momentos inconvenientes. Isso acontecia porque os dois guardiões da entrada do palácio de Parvati eram na verdade amigos de Shiva. Era esse o problema da deusa, que, de vez em quando, era pega de surpresa em sua intimidade.

Acontece que Parvati possuía maravilhosos poderes. Ela era filha de Himalaya, o deus de toda aquela enorme cordilheira de montanhas onde os grandes yogues íam realizar suas práticas. E, além disso, na época em que desejava conquistar o coração de seu amado, ela também praticou toda forma de yoga, ritual e austeridades, a ponto de adquirir o poder de criar tudo aquilo que bem quisesse. Desejando impedir que seu amado esposo continuasse a entrar em seu palácio a qualquer momento, ela entendeu que a melhor coisa a fazer era substituir os guardiões do portão.

Eis que Parvati gerou um filho sem o conhecimento de Shiva. Como era uma deusa poderosíssima, criou a partir de um pouco de terra, um jovem vistoso, forte e fiel. Era um rapaz tão lindo quanto ela, com uma força inacreditável e extremamente dedicado a realizar os desejos da mãe. Daquele momento em diante, o portão do palácio de Parvati passou a ter um novo guardião. O palácio tinha agora uma entrada intransponível. Ninguém podia ultrapassar aquela porta sem a permissão daquele belo jovem, que cuidava da privacidade da mãe com um pesado porrete na mão.

Um belo dia, lá estava Ganesha. E do outro lado, vinha Shiva, acreditando, como sempre, que teria sua passagem garantida. No início, olharam um para o outro. No mesmo instante, perguntaram quem era quem. Depois de dizerem seus nomes, disseram ao mesmo tempo: “Não te conheço!”, “Sai da frente”, “Não saio”, “Vou entrar!”, “Não vai!”. E estava iniciado um dos maiores combates que o mundo já teve.

Foi uma luta que fez tremer o planeta inteiro. Os estrondos foram ouvidos em toda parte. Os gritos eram assustadores. Shiva recebeu a ajuda de suas tropas, com muitas armas. Parvati, ao saber disso, com seu poder grandioso, concedeu a Ganesha um número ainda maior de armas. Era uma guerra que parecia durar muitos anos. Muitos homens e muitos deuses foram até lá para saber o que estava acontecendo. Até que o deus Brahman quis interferir e teve sua barba arrancada pelo bravo Ganesha. Shiva pediu então a ajuda de Vishnu, que também foi ferido com o porrete. Nesse momento, Vishnu disse a Shiva que era necessário um plano para deter aquele forte guardião.

Assim foi feito. Enquanto Visnhu atacava o bravo guardião pela frente com sua arma, que era um disco cortante, Shiva veio por trás e cortou a cabeça de Ganesha com seu tridente. A cena final da batalha foi esta: Ganesha caído no chão, sem cabeça, enquanto Shiva e os outros deuses, cobertos de sangue, perguntavam assustados quem era aquele valente herói, mais poderoso do que qualquer um deles.

Parvati veio até a entrada do palácio, e quando viu seu filho ali caído, primeiramente ficou triste e depois furiosa. Comunicou a Shiva tudo o que havia acontecido, desde o nascimento do jovem, que também era filho dele. Com essa notícia tudo mudou: Shiva deveria fazer aquele corpo viver novamente. Com esse objetivo, ele juntou seus poderes aos de Brahman e de Vishnu. Assim, os três iriam trazer novamente a vida para aquele jovem vistoso, forte e fiel. Mas então perceberam que a cabeça não estava mais lá. No calor da batalha, ela havia desaparecido. A solução encontrada foi dar uma nova cabeça a ele.

Naquele mesmo instante, diante da tristeza e da fúria de Parvati, Shiva disse que daria para Ganesha a cabeça do primeiro ser vivo que encontrasse. Eis que surge, vagarosa e graciosamente, um grande elefante. E foi assim que Ganesha tornou-se o deus com cabeça de elefante”.

Essa foi a história contada pelo grande sábio, que, por fim, explicou como Ganesha se transformou num deus tão importante: depois de receber a nova cabeça, ele recebeu também as bênçãos de Shiva, que o reconheceu como seu filho. Shiva também concedeu a ele as magníficas tropas, fazendo de Ganesha um deus ainda mais poderoso. Foi naquele momento que ele ficou conhecido como “Senhor das tropas”. E, sendo o deus que guardou de forma tão heróica a frente do palácio de sua mãe, é reconhecido até hoje como o deus que deve estar à frente de tudo. É por essa razão que ele está relacionado às entradas e aos começos, que para terem boa sorte, devem contar com a graça do deus. E desde aquele tempo, ele deve ser o primeiro deus a ser venerado nas festas e nos rituais, antes de qualquer outro.

(João Barbosa Gonçalves é professor de sânscrito e seu site é www.om.pro.br)

Psicologia dos Contos de Fadas

Por Paulo Urban

ERA UMA VEZ uma criança que adorava ouvir histórias… ela nada mais esperava que viver cada momento, mas a cada passo dado neste seu mundo de sonhos e fantasia, pouco a pouco, sem o perceber, ia encontrando um sentido para a vida…

Infelizmente, muitos pais desejam ver seus filhos com as cabeças funcionando racionalmente como as suas, e acreditam que a maturidade deles dependa exclusivamente do ensinamento lógico oferecido pela maioria das escolas que, via de regra, em nossa sociedade moderna, nada mais fazem que repassar um conteúdo pedagógico desprovido de maiores significados para a vida. Esquecem-se de explorar os sentimentos como fundamental ingrediente para a formação do caráter e, ainda que bem alfabetizem, desconsideram os contos de fadas como se estes só gerassem confusões quanto aos conceitos sólidos de realidade que devem ser ensinados às crianças. Pecam gravemente por isso.

Afinal, a sabedoria não é coisa que nasça pronta como a deusa Palas Atena, que, inteiramente formada, pulou fora da cabeça de Zeus; é antes algo delicado, que se constrói desde os tenros anos da infância, e que passa necessariamente por um estágio primevo, irracional, de extraordinário potencial que só se desdobrará convenientemente num bem explorado e maduro psiquismo. Obrigatoriamente, isto nos leva à necessidade de lidar com nossos sentimentos. O mundo interior, desconhecido pela consciência intelectualizada, encerra segredos legítimos, guarda metade de nós mesmos, e sua assimilação é imprescindível para todo aquele que deseje conhecer-se melhor ou que esteja buscando respostas honestas para os enigmas da existência.

Neste particular, os contos de fada cumprem relevante papel. São expressão cristalina e simples de nosso mundo psicológico profundo. De estrutura mais simples que os mitos e as lendas, mas de conteúdo muito mais rico que o mero teor moral encontrado na maioria das fábulas, são os contos de fada a fórmula mágica capaz de envolver a atenção das crianças, despertando-lhes (idem nos adultos sensíveis) sentimentos e valores intuitivos que clamam por um desenvolvimento justo, tão pleno quanto possa vir a ser o do prestigiado intelecto.

Em essência, os contos de fada podem ser vistos como pequenas obras de arte, capazes que são de nos envolver em seu enredo, de nos instigar a mente e comover-nos com a sorte de seus personagens. Causam impacto em nosso psiquismo porque tratam das experiências cotidianas, e permitem que nos identifiquemos com as dificuldades ou alegrias de seus heróis, cujos feitos narrados expressam, em suma, a condição humana frente às provações da vida. Não fossem assim tão verdadeiros ao simbolizar nosso caminho pessoal de desenvolvimento, apresentando-nos as situações críticas de escolha que invariavelmente enfrentamos, não despertariam nem sequer o interesse nas crianças que buscam neles, além da diversão, um aprendizado apropriado à sua segurança. Neste processo, cada criança depreende suas próprias lições dos contos de fadas que ouve, sempre consoante seu momento de vida, e extrai das narrativas, ainda que inconscientemente, o que de melhor possa aproveitar para aí ser aplicado. Oportunamente, pede que seus pais lhes contem de novo esta ou aquela história, quando revive sentimentos que vão sendo trabalhados a cada repetição do drama, ampliando assim os significados aprendidos ou substituindo-os por outros mais eficientes, conforme as necessidades do momento.
Desde a remotíssima antigüidade (especialistas apontam para uma tradição oral que começa há mais de 25.000 anos), a relação de qualquer criança com o mundo sempre dependeu dos relatos míticos e religiosos, cujos elementos básicos constituintes encontram-se espalhados por uma miríade de células narrativas de caráter mágico, as quais denominamos contos de fadas.

Platão, século V a.C., no Livro III da República, propunha educar seus cidadãos por um mito próprio que lhes explicasse a origem de suas castas; em outros escritos informa que em seu tempo era função das mulheres narrar às crianças as alegorias, às quais chamou de mythoi. Data histórica mais antiga nos leva diretamente à fonte do popular tema dos “Dois Irmãos”, um dos quais geralmente é bom, o outro nem tanto, encontrado em quase todos os folclores. Ela se acha escrita no papiro egípcio Orbiney (nome de seu antigo possuidor) datado de 1210a.C., que se encontra completo e preservado no Museu Britânico. Relata as desavenças entre dois irmãos, projetadas na dupla de deuses Anúbis e Bata, que vivem brigando entre si, mas dependem mutuamente um do outro. Entretanto, a ocorrência desta história parece ser ainda mais arcaica.

Assim como os mitos e as lendas, os contos de fada e as fábulas provêm do alvorecer da cultura humana e acham-se espalhados por todas as civilizações. Os registros ocidentais mais antigos nos levam a Esopo, herói popular da Trácia, a quem se reputa o ofício de ter sido no século VI a.C. um proeminente contador de fábulas. Aristóteles, em 330 a.C., relata que Esopo, certa feita, como advogado de defesa de um político corrupto teria se valido de uma de suas histórias, “A raposa e o ouriço”, para defender o seu cliente. A raposa estava tomada por pulgas, e o ouriço propôs-se a lhe tratar. Com receio de se machucar ainda mais, ela argumenta: “Sr. Ouriço, deixe estar, se me retira estas pulgas já gordinhas, que nem me chupar podem mais, logo outras sedentas por sangue ocuparão seu lugar”. Ao que completava dizendo aos juízes que se condenassem à morte o réu já enriquecido, outros não tão ricos, mas ávidos para roubar, viriam a ocupar sua cadeira!

Esopo não escrevia suas fábulas. Até surgirem as duas coletâneas mais antigas deste gênero, datadas do ano 1 d.C., sua transmissão era exclusivamente oral. A primeira delas foi escrita em latim por Fedro, que traduziu Esopo para os romanos; a outra, em grego, é da autoria de Babrius.

A primeira coleção de contos, porém, com motivos do folclore europeu, denominada Gesta Romanorum, só surgiria no século XIV, escrita em latim. Precedeu em poucos anos As Mil e uma Noites, famosos contos árabes de magia e aventura, de origem persa, que datam dos séculos XIV a XVI. Tudo começa com a desilusão do califa Shahryar ao descobrir que seu irmão Shazeman era traído pela esposa. Resolve então que nunca deixaria que consigo acontecesse tamanha desonra, e decide dormir com mulheres sempre virgens para no dia seguinte entregá-las a seus soldados para a morte. Até que a corajosa Sherazade, filha de seu principal vizir, contrariando os conselhos de seu pai, oferece-se para o califa. Propondo-se a evitar maior matança, passa a contar-lhe todas as noites, após se amarem, uma história que ela sempre interrompia em seu ponto culminante, fazendo com que seu amo a poupasse até a noite seguinte, quando então, continuava a narrativa.

As Mil e uma Noites têm por pano de fundo o apogeu do mundo árabe alcançado durante o reinado de Harum-el-Raschid, quinto califa da dinastia dos Abácidas, século VIII d.C. Aladim e o gênio da lâmpada, Simbá, o marujo, e Ali Babá são alguns dos personagens que por três anos mantiveram viva Sherazade, até que, por fim, estando o califa completamente apaixonado por ela e transformado interiormente pela beleza de suas histórias, liberta-se de sua depressão, suspende a pena, e a pede em casamento. Os contos das “Noites Árabes” haviam servido a el-Raschid como verdadeira terapia! A propósito, este é o procedimento adotado desde a antigüidade pela medicina hindu, chamada Ayurveda, na qual os pacientes são convidados a meditar sobre contos de fadas para que suas mentes se purifiquem, condição prévia para que qualquer cura seja alcançada.

O título dado às histórias de Sherazade, assim como o modelo adotado por Bocaccio (1313-1375) no Decameron, bem serviram ao italiano Giovanni Straparola (1480-1557) que imaginou uma reunião de jovens, isolados do mundo, entretidos em suas narrativas de fadas. O conjunto, batizado por Piacevoli Notti (Noites de Prazer), foi publicado de 1550 a 1553. Muitas de suas idéias seriam depois adaptadas pelo francês Charles Perrault (1628-1703), até nossos dias lembrado por seus Contos da Mamãe Gansa, que vieram a público em 1697 trazendo uma versão de “Chapeuzinho Vermelho” em que o lobo sai vitorioso da história, após haver jantado a vovó e comido em seguida a menina de sobremesa. O literato justificava-se dizendo que sua narrativa era de valor eminentemente moral, e que as crianças bem deviam saber o preço da desobediência aos pais. Foi seu contemporâneo Jean de La Fontaine (1621-1695), imortalizado por suas Fábulas, publicadas entre 1668 e 1694, de cunho igualmente moral, que passaram a ser contadas nas escolas da época e permanecem populares até hoje. O alemão Gotthold Lessing, por considerar as sátiras de La Fontaine muito leves, em 1759 edita seu Fabels (Fábulas), cujo teor trazia lições bem mais severas que as da moral francesa.

Somente no século seguinte, porém, é que o jardim da infância floresceria definitivamente com a paciente pesquisa feita pelos irmãos Grimm na Alemanha. Os filólogos Jacob Grimm (1785-1863) e Wilhelm Grimm (1786-1859), lingüistas e folcloristas, colecionaram contos de encantamento por toda parte da Europa, e lançaram de 1812 a 1815, em dois tomos, Os Contos de Fadas dos Irmãos Grimm, que, desde então, vêm sendo adaptados em quase todos os idiomas, e transformados em elemento essencial da literatura infantil. Jacob era o mais intelectualizado dos irmãos, mas Wilhelm era quem detinha a verve da poesia; juntos chegaram a editar 210 histórias, maior parte delas encontrada nos dois volumes originais. Em 1983, descobriu-se um manuscrito com conto inédito na coleção dos Grimm.

Outro autor de novelas, peças de teatro, roteiros de viagens, memórias e poesias, consagrado por seus contos de fada, foi o dinamarquês Hans Christian Andersen (1802-1875), filho de um humilde sapateiro e de uma iletrada mãe, mulher supersticiosa que o influenciou bastante por passar-lhe a tradição oral do campo. Em 1835 publicou Histórias Contadas às Crianças, com seus quatro primeiros contos. Até 1872, produziu 168 histórias, logo traduzidas em diversos países, comumente publicadas em séries de quatro narrativas por livro. Combinando à fantasia infantil sua aguçada sabedoria, encantou igualmente o público adulto, repetindo a mística do fenômeno provocado pelos irmãos Grimm; hoje sua obra acha-se traduzida em mais de 100 línguas.

Ainda no século XIX, os românticos alemães Goethe e Ernst Hoffman , e o inglês Oscar Wilde são exemplos dos que também se dedicaram à literatura infantil. E citemos com orgulho Monteiro Lobato (1882-1948) que, preocupado em edificar os jovens, produziu extensa literatura infanto-juvenil de cunho pedagógico, adaptando para as crianças brasileiras as Fábulas de Esopo.

Mas por que nos impressionam tanto os contos de fada? Por certo, não apenas pelos expoentes citados que se dedicaram à sua compilação, visto que tais contos sempre foram populares como tradição oral, mas, antes, porque suas histórias são instigantes. Não há como alcançar completamente seu sentido em termos puramente intelectuais, fato que nos desperta a percepção intuitiva.

A fantasia, irracional a ponto de permitir que a vovó engolida pelo lobo mau permaneça viva em sua barriga até ser salva, ou que Bela Adormecida durma enfeitiçada um sono de cem anos, e João suba num pé de feijão até alcançar no céu o castelo de um gigante, justamente pelo inverossímil que expõe, provoca uma reviravolta em nosso mundo psíquico que, estimulado, aguça-se na tentativa de compreendê-la. E não há como explicá-la pelos padrões da razão metódica. A história de fadas é per si sua melhor explicação, do mesmo modo que as obras de arte encerram aspectos que fogem do alcance do intelecto, já que suscitam emoções capazes de comover os que diante delas se colocam. O significado desses contos está guardado na totalidade de seu conjunto, perpassado pelos fios invisíveis de sua trama narrativa. Claro que, diante desse mistério, muitas formas de abordá-lo são possíveis e igualmente válidas, posto que acrescentam luz à sua compreensão.

O psicanalista austríaco Bruno Bettelheim (1903-1990), por exemplo, em seu precioso estudo Usos do encantamento: significado e importância dos contos de fadas (em Português, A Psicanálise dos Contos de Fada, ed. Paz e Terra), argumenta: “Os psicanalistas freudianos se preocupam em mostrar que tipo de material reprimido ou inconsciente está subjacente nos mitos e contos de fada, e como estes se relacionam aos sonhos e devaneios. Já os junguianos, ele continua, frisam em acréscimo que as figuras e os acontecimentos destas histórias estão de acordo com fenômenos arquetípicos, e simbolicamente sugerem a necessidade de se atingir um estado mais elevado de autoconfiança, uma renovação interna conseguida à custa de forças inconscientes que se tornam disponíveis ao indivíduo”.

O próprio Jung disse certa vez que “nos contos de fadas melhor podemos estudar a anatomia comparada da psique”. Quis dizer com isso, explica-nos sua discípula Marie Louise von Franz em Interpretação dos Contos de Fadas (ed. Paulus) que os contos de fadas espelham a estrutura mais simples, ou o “esqueleto” da psique, e que suas muitas peças acabam por fundir-se, compondo os grandes mitos que expressam toda uma produção cultural mais elaborada. O estudioso clássico E. Schwizer demonstra como, por exemplo, o mito de Hércules foi sendo aos poucos espontaneamente “montado” a partir de histórias separadas, todas temas centrais de seus respectivos contos de fadas.

Fenômeno semelhante ocorre, aponta-o o historiador Homero Pimentel, no campo da literatura clássica, onde se registra a corriqueira absorção de temas arquetípicos encontráveis nos contos de fadas, como a figura típica da madrasta má que ordena a seu servo que mate Branca de Neve, bem aproveitada por Shakespeare em sua peça Péricles, Príncipe de Tiro. E talvez o literato britânico não alcançasse tanto sucesso não fosse seu costume de ler contos de fadas.

Branca de Neve, a propósito, cuja narrativa remonta há mais de mil anos, permite inúmeras interpretações à luz da psicanálise ou da psicologia junguiana. Prefiro ver neste conto, contudo, uma das jóias raras produzidas pelo saber dos alquimistas. Na alegoria de “Branca de Neve” estão depositados inúmeros segredos do ocultismo. A rainha, que morre ao parir, fora bem clara em seu desejo: “Quero ter uma filha de pele alva como a neve, lábios vermelhos como o sangue, e cabelos tão negros quanto a noite!” É como começam as versões originais deste fabuloso conto. Implícita está, desde o início, a alusão às três grandes fases da transmutação alquímica: albedo (o branco), rubedo (o vermelho) e nigredo (o negro). Expulsa de seu castelo aos 7 anos, a menina é abandonada pelo servo na floresta; miticamente, este é o lugar desconhecido onde primeiro nos perdemos na busca da verdade. A casa dos 7 anões representa o núcleo orientador capaz de nos levar de volta ao caminho iniciático dos alquimistas. E os anões, todos mineradores da caverna, representam a necessidade de trabalharmos nossas entranhas em busca do ouro filosofal. Na alegoria do 7 acham-se velados os 7 metais alquímicos, bem como seus 7 planetas regentes, também os 7 degraus para o preparo da Pedra Filosofal. A madrasta, por sua vez, traduz arquetipicamente os perigos do caminho de provações, revelando-se como bruxa perdida (por estar presa à vaidade) na busca da beleza eterna, enganada quanto à natureza do “Elixir da Longa Vida”. Ela morrerá em desgraça, e Branca de Neve, após pagar o preço de sua ingenuidade, acabará por renascer de sua morte simbólica nos braços de seu príncipe encantado, a representar a coroação dos ideais da alma. Mas a complexidade desta análise alquímica nos levaria a outra matéria; paremos por aqui. Parafraseando Michael Ende, autor da saga A História sem Fim: “Esta é uma outra história e terá de ser contada em outra ocasião…”

“E quanto àquela criança que adorava ouvir histórias? O mais importante que resta disso tudo é que nunca esqueçamos a lição… crianças, jovens ou adultos, no mundo das fadas todos seguimos encantados e… FELIZES PARA SEMPRE !”

P.S: Tão logo termino de escrever este texto, a um mês da publicação, recebo nota do falecimento de Maria Clara Machado. Agradeço a ela; felizes das crianças que, como eu, sabem brincar de Fantasminha Pluft…

(Paulo Urban é médico psiquiatra e Psicoterapeuta do Encantamento e Acunpunturista – Editor-chefe da Revista Nova Consciência – Site: www.amigodaalma.com.br e e-mail: urban@paulourban.com.br)

Lançamento do livro Yoga Com os Bichos
Lançamento do livro Yoga Com os Bichos

Por Natália Dourado

O professor de Yoga João Soares lança seu livro Yoga com os bichos, sábado, dia 1º, na Escola de Yoga Carmen Perez, em São Paulo. A obra é voltada para crianças, professores e pais praticantes.

João Soares ministra aulas de Yoga para crianças há 15 anos usando a metodologia Yoga com histórias, que promove o ensino da prática de forma lúdica. Segundo ele, seu livro tem o mesmo objetivo: “Na obra, procuro ensinar as posturas de Yoga de forma lúdica e divertida.” Assim, é possível encontrar um leão, uma zebra, girafa, esquilo e até mesmo um elefante fazendo diversas posturas como, por exemplo, navasana, surya namaskar e mayurasana.

O professor conta que a idéia de fazer o livro surgiu com o nascimento de seu filho, o que trouxe mais criatividade, pensamentos e histórias para trabalhar com crianças. A produção de Yoga com os bichos levou aproximadamente oito meses e possui ilustrações do artista plástico Humberto Soares.

Para 2010, João planeja lançar seu segundo livro chamado Yoga com histórias para crianças, o Yoga ensinado através da magia das histórias. Esta publicação será dirigida para pais e professores de Yoga que queiram aprender como a utilização de histórias pode tornar a prática mais eficiente para as crianças.

Por que Yoga para crianças?

YOGA PARA CRIANÇAS

Por Karin Maria Véras

Yoga para crianças é uma forma de educação integral que utiliza a experiência corpóreo-sensorial como suporte para o aprendizado sobre si mesma e ensina como se mover com segurança no ambiente ao seu redor. Assim, as posturas psicofísicas ou asanas preparam o corpo para o desenvolvimento integrado do intelecto e dos sentimentos, enquanto que os yamas e nyamas – princípios éticos como a não violência, o cultivo da verdade e da alegria – são ensinados através de histórias narradas numa linguagem lúdica e arquetípica que falam à alma da criança.

As aulas são preparadas de forma a alternar posturas ativas e passivas com o objetivo de levar a criança a momentos de profunda interação social junto com os colegas, como também momentos de concentração, relaxamento e contemplação – ao apreciar, por exemplo, uma flor, olhar com atenção para a chama de uma vela ou ouvir os sons de pássaros, da água, da natureza – vivenciados através da música ou ao ar livre. É claro que uma aula de Yoga para o público infantil não pode deixar de levar em conta o dinamismo da criança, apresentando momentos de intensa movimentação na sala, com jogos e brincadeiras envolvendo o aprendizado das posturas – cuja permanência varia de acordo com a idade dos praticantes. Quanto menor a idade, menor a capacidade de concentração e, portanto, menor a permanência em cada postura. Nesse caso é preciso usar de muita criatividade, acrescentando-se sons, variações e novos jeitos de aprender e brincar dentro de cada asana. Por outro lado, não de deve perder de vista que a maioria das crianças, quando bem orientada, sabe ouvir o silêncio, aquietar-se e, principalmente, dar asas à sua imaginação. E é nesta dança de movimentação e aquietação que o universo infantil vai se revelando e expressando em sua plenitude.

Este é o objetivo da prática: canalizar a vitalidade infantil para o desenvolvimento harmonioso de sua mente, sem forçar nada, apenas incentivando a criança a expandir sua criatividade, alongar seus músculos, ouvir seus próprios sons (respiração e batimentos cardíacos), cantar e representar personagens míticos, animais, o sol, a lua, as profissões, dentre outros elementos do vasto repertório do Yoga adaptado ao universo da criança. E assim, brincando, ela vai aprendendo e praticando as posturas. Conduzida e acompanhada amorosamente pelo professor e sempre incentivada a se expressar com espontaneidade, a criança entra no exercício proposto do seu jeito, sem ser julgada, apenas apoiada para estar presente e continuar expandindo suas possibilidades. Desta maneira, a criança vai sendo conduzida a investigar seu próprio corpo e movimento, assumindo posturas físicas e incorporando suas qualidades psíquicas como experimentar ser firme como uma árvore, livre como um pássaro, forte como um guerreiro e brilhante como o sol.

Outro fator intrínseco a uma aula de Yoga para o público infantil é a expressão da alegria, o contentamento sendo um dos princípios do Yoga, vem com as brincadeiras, os jogos, mas também do contato que a criança faz com suas próprias sensações a partir dos movimentos que trazem frio, o calor, o dentro, o fora, o peso, a leveza em diferentes intensidades. É desta forma que o sorriso e as expressões de alegria são recebidas como dádivas dentro da prática, assim como se recebe a raiva, a rebeldia, a tristeza e as dificuldades, buscando a condução desses sentimentos, através dos exercícios e das histórias, para um final feliz. Isto permite à criança a entrada com segurança nas clareiras e escuridões próprias do seu processo de crescimento e o incentivo a escolher sempre a direção da luz. Ensinamos que essa luz, essa estrela brilhante, esse fogo flamejante mora dentro delas e de todas as coisas que têm vida: nos animais, nas plantas, nos astros e nas pessoas. Até mesmo os sentimentos do professor, sejam eles de alegria, tristeza ou desapontamento por alguma dificuldade em aula, devem ser expressos com sinceridade a fim de que a criança se sinta à vontade para expressar os seus e que estes sejam, igualmente conduzidos com firmeza para a luz.

São múltiplos os benefícios do Yoga para a criança. Ele pode ajudar no desenvolvimento do seu corpo, no aumento de sua concentração e proporcionar um estado de bem-estar consigo mesma e de melhora em seus relacionamentos. Além disso, pode refinar seus sentidos e desenvolver valores ecológicos e humanistas. Algumas posturas têm efeitos diretos sobre determinadas partes do corpo, como, por exemplo, vajrasana, a postura do diamante, que fortalece toda a musculatura do corpo e beneficia o sistema nervoso, além de aumentar a flexibilidade e elasticidade – qualidades inerentes às crianças que devem ser preservadas. Outras posturas mais passivas, como savasana – a criança deitada com a barriga para cima -, produzem efeitos sedativos e acalmam a criança. Já o trataka, sendo um kriya ou técnica de purificação, pode ser executado de maneira criativa – fixando-se os olhos numa vela, numa luz suave, na ponta do nariz ou na base do polegar -, permitindo trazer o foco e a atenção tão necessários ao processo educativo.

Também existem posturas contra-indicadas para problemas de coluna, pulmonares e cardíacos que requerem uma orientação adequada.

São inúmeros, igualmente, os benefícios do Yoga integrado à educação nas escolas. Embora esse campo de atuação esteja só brevemente florescendo, as experiências que existem são suficientes para a demonstração de uma melhora no aprendizado, um apaziguamento de crianças hiper-ativas, uma melhora no relacionamento com os colegas e com os professores em classe. Pois a criança aprende a lidar melhor com suas dores físicas e emocionais, a se mover com maior agilidade no espaço e tempo escolar através de uma percepção mais adequada de si mesma, do outro e do seu entorno.

Assim, ela pode desenvolver um cuidado maior com sua própria saúde e compartilhar esse cuidado com os demais seres vivos. Além disso, vale acrescentar que, se observarmos as crianças brincando, contataremos que elas já praticam, naturalmente, várias das posturas do Yoga em seu dia-a-dia, nas brincadeiras, em sua vida.

Voltamos então à pergunta inicial deste artigo: Por que Yoga para crianças? Marsha Wenig, criadora do método YogaKids, fala de inúmeras razões incluindo o fato de nosso atual sistema de ensino ser muito compartimentado e da possibilidade de ele oferecer um enfoque interdisciplinar que inclui um programa de exercícios, o aprendizado de língua e das artes, da ciência e da música, da ecologia e da saúde, de maneira a integrar as diversas formas de se aprender, como a sinestésica, a visual e a auditiva. Ressalta, ainda, que o Yoga aborda a criança em sua inteireza – mente, corpo, coração e espírito – dando a ela um senso de pertencimento ao todo.

Então, se nós, adultos pudéssemos observar e respeitar essa inteireza, quem sabe poderíamos compreender melhor como interagir com o público infantil e, ao mesmo tempo, como tornar a nossa própria prática mais espontânea, sincera e feliz. Quer dizer, praticarmos Yoga sem o conceito de feio e bonito, vitória ou derrota, de forma a estarmos mais livres para expressarmos o Ser dentro da prática. Como uma criança que faz Yoga e que, em muitos momentos, entra no estado de Yoga naturalmente, expressando seus sentimentos por inteiro no exato momento em que acontecem, no tempo presente, agora trata-se de buscar, na expressão de Sri Swami Satchidananda, uma “pratica completa que se refere a todos os aspectos do indivíduo: a parte física, emocional, espiritual e social, e nos leva também ao entendimento e domínio da própria mente. Quando a mente consegue chegar ao estado pleno de concentração e clareza, então podemos ver dentro de nós mesmos e experimentar a paz e a felicidade que é nossa verdadeira natureza”.

Desta maneira, cultivar esse estado de Yoga nas crianças (e em nós) de forma espontânea, livre e permanente é o desafio que nos colocamos nesse trabalho, na busca de abrir espaço para que a Consciência Maior se manifeste em cada célula, em cada fase da vida e em toda a vida aqui na terra, mesmo sabendo que estamos na infância desse processo, pois, como disse Sri Aurobindo, precursor do Yoga Integral “o homem perfeito é uma criança divina”.

Finalizamos, aqui, no ponto onde o Yoga inicia, com uma das possíveis traduções de primeiro sutra de Patanjali: atha yoganusasanam – “o Yoga começa agora”. E solicitamos ao leitor refletir se é na criança onde a prática do Yoga deve começar. Namastê.

(Karin Maria Véras é professora de Yoga para crianças em Florianópolis. E-mail: Karinveras@hotmail.com)

Mandalas Para os Pequenos Yogues

YOGA PARA CRIANÇAS
Em nossa caminhada junto às crianças, utilizamos um recurso que consideramos muito especial e que aparece na tradição do Yoga na forma de Yantras: as mandalas.

Segundo o professor João C. B. Gonçalves, a palavra Mandala é um substantivo neutro que significa “círculo” e provém da raiz verbal mand, que quer dizer “enfeitar”, “adornar”.

Dentro da tradição oriental as mandalas são representações do divino e vem sendo usadas no tantrismo e no Budismo tibetano há muito tempo. Apresentam-se como uma forma de entrar em contato com o aspecto sagrado e de expressar este aspecto tão importante que cada um carrega dentro de si.

Aqui cabe ressaltar que as mandalas são muito queridas pelas crianças que adoram utilizá-las devido a sua estrutura simples, agradável e lúdica! Ao pintá-la, ou a construí-la, a criança entra em contato com a arte que naturalmente a encanta e faz parte do seu e de universo e de sua necessidade de expressão. O diferencial é que a mandala, através de sua dinâmica – que é criada a partir do centro – ajuda a criança a se equilibrar, a se organizar internamente. Ajudar nossas crianças a encontrar o caminho de volta para o seu próprio centro é sem dúvida uma importante forma de ajudá-la a cuidar de sua essência, de perceber – mesmo sem ter dimensão racional disso – que dentro de nós há um local onde tudo que é perfeito já existe e que quando entramos em contato com esse espaço, a perfeição pode se materializar também do lado de fora.

Por isso já se atribui à mandala o poder de acalmar, concentrar, de ajudar a reorganizar os conteúdos internos e de reequilibrar o funcionamento dos dois hemisférios do cérebro (esquerdo mais racional e direito mais artístico).

Em nossas aulas voltadas aos Pequenos Yogues, podemos utilizá-las no final da aula prática e sugerir uma pequena meditação, aproveitando este equilíbrio gerado pela aula e pela mandala. Com o cérebro da criança operando em uma freqüência mais baixa, ela tende a ter uma maior capacidade de abstração, o que é fundamental para a meditação.

Enfim, existem várias outras formas de criar essa relação que consideramos tão ricas!

A mandala abaixo foi criada pela professora Carmen Perez para nosso Curso de Formação em Yoga para Crianças do qual ela participa.

Que tal deixar que sua criança pinte-a livremente, sem nenhum tipo de direcionamento nem de expectativa além de vivenciar a riqueza deste momento?

Namastê

Rosa Muniz e João soares são coordenadores do projeto Yoga com Histórias® – que há 17 anos, tem como proposta divulgar e levar o Yoga lúdico para crianças em todo Brasil – e formam professores que desejam propagar esta importante missão.

Tempo de acolher

YOGA PARA CRIANÇAS
Livro com DVD
O Pequeno Yogue que Encarou o Monstro
Os professores João Soares e Rosa Muniz, do Yoga com Histórias, dedicam suas vidas a entender, acolher, ensinar e aprender com seus filhos Anays, Yam, Théo e alunos de todo o Brasil.

Por que o enfrentar o medo foi o tema escolhido para este segundo livro?

Sempre que preparamos algo para as crianças, temos dois cuidados: a forma e o tema. A forma é sempre a mágica linguagem infantil, o lúdico! O tema é sempre algo que diga respeito ao próprio cotidiano infantil. Por isso a superação do medo, das dificuldades e a construção de valores estão sempre presentes em nossas aulas de Yoga, livros e CDs. O medo frente ao desconhecido já apareceu em outros de nossos trabalhos. Mas, como o medo é uma característica humana, não dá para negar que quando escrevemos para crianças, estamos dando escuta também à nossa criança interna que quer se manifestar. Escrever sobre o medo é uma forma de alimentar nossa coragem e também de vislumbrar a possibilidade, por meio da linguagem mágica das histórias, de que nós (adultos e crianças) podemos encontrar saídas e ser felizes. É como andar numa grande montanha-russa, sentir o frio na barriga, o coração disparado, os gritos… e depois ter a vontade de ir novamente. Isso acontece porque internamente vivenciamos e superamos o medo. A criança também precisa disso.

Como o Yoga pode nos ajudar a ajudar nossos filhos?

Costumamos dizer que quando temos filhos, a vida muda completamente! É incrível como eles conse­guem despertar o melhor que existe em nós! Mas também é impressionante perceber que o processo de educar nos aponta nossas limitações. O equilíbrio tão necessário à relação pai/filho é um dos grandes ganhos da prática regular do Yoga, que tem se mostrado como uma importante ferramenta depois que nossas crianças chegaram.

Como apoiar e estimular as crianças para que sejam confiantes contra o medo? A partir dos 3 anos, o medo começa a ter interferência da imaginação. As­sim, ele aparece na resistência ao escuro ou personifi­cado na figura do monstro, do fantasma, da bruxa… E o medo pode ser expresso de várias formas, por meio de insegurança, agressividade, timidez, necessidade de aprovação, da perda do controle da urina, e até de fobias – aqui entendemos que já seria necessária a ajuda de um profissional qualificado. Para lidar com isso, achamos importante que os adultos não encarem esse medo como uma bobagem. É uma coisa séria, que surgiu por algo significativo para a criança, e por isso merece a escuta atenciosa e sincera do adulto. Acolher e promover o diálogo é importante para que a criança perceba que todos temos medos, e desenvolva formas de falar sobre seus sentimentos. No entanto, nem sempre o medo é verbalizado e, muitas vezes, a solução não vem de forma racional. O medo – e outras dificuldades das crianças – surge em seus processos inconscientes e, por isso, a resposta para lidar com ele tende a vir por meio de uma forma simbólica, do mun­do mágico que a própria criança tem dentro dela. Por isso, uma boa história pode alimentar a força interna da criança para superá-lo: vencer a bruxa, o lobo e des­truir o mal é encontrar a saída, é incorporar forças, é resolver questões internas.