Tempo de acolher

Tempo de acolher

YOGA PARA CRIANÇAS
Livro com DVD
O Pequeno Yogue que Encarou o Monstro
Os professores João Soares e Rosa Muniz, do Yoga com Histórias, dedicam suas vidas a entender, acolher, ensinar e aprender com seus filhos Anays, Yam, Théo e alunos de todo o Brasil.

Por que o enfrentar o medo foi o tema escolhido para este segundo livro?

Sempre que preparamos algo para as crianças, temos dois cuidados: a forma e o tema. A forma é sempre a mágica linguagem infantil, o lúdico! O tema é sempre algo que diga respeito ao próprio cotidiano infantil. Por isso a superação do medo, das dificuldades e a construção de valores estão sempre presentes em nossas aulas de Yoga, livros e CDs. O medo frente ao desconhecido já apareceu em outros de nossos trabalhos. Mas, como o medo é uma característica humana, não dá para negar que quando escrevemos para crianças, estamos dando escuta também à nossa criança interna que quer se manifestar. Escrever sobre o medo é uma forma de alimentar nossa coragem e também de vislumbrar a possibilidade, por meio da linguagem mágica das histórias, de que nós (adultos e crianças) podemos encontrar saídas e ser felizes. É como andar numa grande montanha-russa, sentir o frio na barriga, o coração disparado, os gritos… e depois ter a vontade de ir novamente. Isso acontece porque internamente vivenciamos e superamos o medo. A criança também precisa disso.

Como o Yoga pode nos ajudar a ajudar nossos filhos?

Costumamos dizer que quando temos filhos, a vida muda completamente! É incrível como eles conse­guem despertar o melhor que existe em nós! Mas também é impressionante perceber que o processo de educar nos aponta nossas limitações. O equilíbrio tão necessário à relação pai/filho é um dos grandes ganhos da prática regular do Yoga, que tem se mostrado como uma importante ferramenta depois que nossas crianças chegaram.

Como apoiar e estimular as crianças para que sejam confiantes contra o medo? A partir dos 3 anos, o medo começa a ter interferência da imaginação. As­sim, ele aparece na resistência ao escuro ou personifi­cado na figura do monstro, do fantasma, da bruxa… E o medo pode ser expresso de várias formas, por meio de insegurança, agressividade, timidez, necessidade de aprovação, da perda do controle da urina, e até de fobias – aqui entendemos que já seria necessária a ajuda de um profissional qualificado. Para lidar com isso, achamos importante que os adultos não encarem esse medo como uma bobagem. É uma coisa séria, que surgiu por algo significativo para a criança, e por isso merece a escuta atenciosa e sincera do adulto. Acolher e promover o diálogo é importante para que a criança perceba que todos temos medos, e desenvolva formas de falar sobre seus sentimentos. No entanto, nem sempre o medo é verbalizado e, muitas vezes, a solução não vem de forma racional. O medo – e outras dificuldades das crianças – surge em seus processos inconscientes e, por isso, a resposta para lidar com ele tende a vir por meio de uma forma simbólica, do mun­do mágico que a própria criança tem dentro dela. Por isso, uma boa história pode alimentar a força interna da criança para superá-lo: vencer a bruxa, o lobo e des­truir o mal é encontrar a saída, é incorporar forças, é resolver questões internas.

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